Paes critica segurança e bilhetagem do Estado, que rebate: 'Prefeito deveria se preocupar com a população do Rio', diz secretário de Defesa do Consumidor
Pasta teve embate com gestor municipal na implantação do Jaé no final do mês passado, quando tentou impedir a implantação do novo sistema nos transportes
Após do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), tecer diversas críticas ao Governo do Estado durante uma coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, representantes da gestão estadual responderam aos ataques. Paes apontou falta de coordenação entre as forças de segurança pública e ineficiência na adoção de tecnologias, além de culpar o estado pela falta de integração nos transportes. O secretário de Defesa do Consumidor do Estado do Rio, Gutemberg Fonseca, com quem Paes já travava uma queda de braço por conta da implantação do Jaé, afirmou, na manhã de hoje, que são "críticas eleitorais" e que o prefeito deveria se preocupar com a população do Rio, ao invés de "atirar pedras".
Mudança na gestão:
Jaé:
O secretário se manifestou em outra coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio, sobre uma operação integrada das polícias, das secretarias de Defesa do Consumidor do Rio e do Espírito Santo.
— O prefeito ao longo de algum tempo vem tecendo críticas eleitorais, e a gente não se atem a esse quesito, a gente se atém à questão técnica. Sugiro ao prefeito, mas com muito respeito, que ele pense na população. A população do estado do Rio de Janeiro vem sofrendo há alguns anos, porque sempre houve um embate político em casos sérios. A Polícia Civil e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro são as melhores do Brasil. Elas trabalham com pouco recurso que têm, com falta de efetivo — afirma Gutemberg.
Apagão nos transportes:
Ele criticou a atitude do prefeito e relembrou a demora da prefeitura em armar a Guarda Municipal, que, segundo o secretário, poderia auxiliar as forças policiais.
— O prefeito poderia estar ajudando, quando há algum tempo ele já poderia ter armado a guarda municipal e colocado à disposição para pelo menos proteger o patrimônio público, mas ele prefere atirar pedras. A gente não está preocupado com os arremessos de pedras, a gente está preocupado em proteger a população do estado do Rio de Janeiro — disse o secretário.
Jaé:
O coordenador das Delegacias Especializadas da Polícia Civil, André Neves, afirmou que não faria comentários sobre uma declaração política, e que o foco da corporação é trabalho, investigação e prisão.
Embate político
No fim do mês passado, o prefeito do Rio foi às redes para disparar ofensas ao secretário estadual de Defesa do Consumidor. O ataque foi feito no dia 25 de junho, após o anúncio da Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor (SEDCON) de que suspenderia a emissão dos cartões Jaé por supostas irregularidades, como o descumprimento do prazo para esclarecer sobre os transtornos enfrentados pela população nos postos de atendimento. Paes chamou Gutemberg de “vagabundo-mor” e acusou o secretário de agir “em defesa dos empresários de ônibus”.
“Vagabundo-mor! Marqueteiro do Witzel agindo em defesa dos empresários de ônibus. Ainda bem que nem o chefe dele o apoia. Zero autoridade”, disparou o prefeito.
Na coletiva desta manhã, em que anunciou como vai funcionar a , o prefeito fez uma série de críticas à gestão de segurança do estado, apontando falta de coordenação, excesso de secretarias, falta de integração e ineficiência na adoção de tecnologias.
— A gente fica olhando a atuação das Forças de Segurança do Governo do Estado e, só de olhar a existência de três secretarias cuidando de um mesmo tema, a gente nota que existe tudo ali menos gestão. (...) Tem um secretário de Segurança, secretário da Polícia Militar, um secretário da Polícia Civil. Ninguém manda ninguém, ninguém coordena com ninguém. (...) É inacreditável que, a essa altura do campeonato, as forças de segurança de um Estado com os problemas de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro já não dispusessem dessa tecnologia como uma ação própria — afirmou Paes.