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Saiba como se readaptar à rotina de trabalho após as férias de fim de ano

Por Erika Messias 01/01/2026
Saiba como se readaptar à rotina de trabalho após as férias de fim de ano
Ano novo: dicas para voltar à rotina de trabalho. (Foto: Foto: Getty Images.)

Muitos trabalhadores recebem férias durante o mês de dezembro, e retornar à rotina em janeiro pode se tornar difícil e, às vezes, cansativo. Após a alegria de reunir amigos e familiares e agradecer pelas conquistas do ano anterior, é comum sentir uma certa “tristeza” quando o período de descanso chega ao fim. Pensando nisso — e com a chegada de 2026 — o site O Dia Mais buscou informações com uma especialista em saúde mental para mostrar como evitar a temida “ressaca social” e iniciar o ano com expectativas positivas.

Embora a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e a Organização Mundial da Saúde avaliem o termo como uma condição comum entre pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a chamada “ressaca social” também aparece na rotina de trabalhadores como um estado relacionado ao desgaste mental ou a um possível desalinhamento na readaptação ao cotidiano.

O órgão classifica a situação como síndrome pós-férias, que não é considerada um diagnóstico clínico, mas exige cuidados com a saúde física e mental. O trabalhador pode perceber essa mudança por meio de sintomas característicos, como irritabilidade, falta de concentração e dificuldade para dormir.

Ainda conforme estudos, 7 em cada 10 trabalhadores brasileiros desenvolvem algum tipo de ansiedade ou “fobia social” ao retornarem às rotinas usuais. Outro alerta aponta que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade: 9,3% da população apresenta o problema, enquanto 33,5% relatam sofrer com tensões musculares, dores de cabeça e alterações no sono. Os dados fazem parte de uma análise realizada durante e após a pandemia da Covid-19 e reforçam a importância da saúde mental no ambiente de trabalho.

Para a psicóloga Franciele Pereira, os trabalhadores alagoanos precisam ficar atentos aos sinais e sintomas do desgaste mental. Um dos pontos destacados pela especialista é a falta de conhecimento da população sobre o burnout, síndrome bastante conhecida na internet, mas ainda pouco reconhecida no dia a dia.

“Não é normal sentir dores de cabeça constantes, não conseguir relaxar para dormir ou apresentar qualquer tipo de fadiga mental e física. Muito se fala sobre desgaste emocional no trabalho, mas pouco se entende como essa condição afeta o corpo. Atendo, quase todos os dias, pacientes que questionam a sensação de tristeza com o fim das férias e utilizam muito a frase ‘só se vive uma vez’, cometendo exageros dias antes de retornarem ao trabalho. Isso acaba desencadeando uma série de problemas para a saúde mental”, comenta a especialista.

Psicóloga Franciele Pereira.


A profissional também aborda a saúde mental no trabalho de forma geral e acredita que as raízes dos diversos distúrbios relacionados ao cansaço extremo envolvem cuidados paliativos — incluindo o uso de medicamentos para dores localizadas — em vez de tratamentos definitivos. A responsabilidade, segundo ela, deve ser compartilhada entre empresas e funcionários, com diálogo e preparo para diagnósticos futuros, evitando adoecimentos e desânimo no ambiente profissional.

Ainda segundo a psicóloga, sair e retornar das férias deve ser planejado, com distribuição de tempo de qualidade para o lazer — sem exageros — e atenção à saúde, que muitas vezes já se encontra fragilizada há algum tempo.

“O ideal, para quem encerra dezembro e recomeça em janeiro, é equilibrar, pelo menos duas semanas antes, os horários biológicos, regulando a qualidade do sono, praticando exercícios físicos e evitando o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Também é fundamental observar sintomas contínuos.
Apesar de ser um tema atual, muitos trabalhadores não conseguem reconhecer o desgaste emocional ou o burnout e recorrem à automedicação para tratar algo que exige acompanhamento psicológico. Cuidar da saúde como um todo é a única maneira de retornar às atividades rotineiras sem estresse”, explica Franciele Pereira.

Comer bem e estar em movimento


O preparador físico Wellington Silva afirma que a prática de exercícios físicos, uma boa alimentação e o alinhamento de rotinas ajudam na preparação para o período pós-férias. Atuando com treinos e auxiliando alunos a manterem a forma, ele percebe uma diferença clara entre aqueles que conseguem manter o foco e os que enfrentam mais dificuldades na retomada.

Para ele, nutrir o corpo e seguir hábitos saudáveis ainda é o melhor remédio para quem busca bem-estar dentro e fora do ambiente de trabalho. As orientações essenciais, segundo o graduando em Educação Física, são semelhantes às citadas pela psicóloga, porém com maior ênfase no cuidado físico.

“O Natal e a virada do ano sempre vêm acompanhados de exageros, seja na alimentação, no consumo de bebidas alcoólicas ou no hábito de virar a noite acordado. Muitos alunos iniciantes reclamam da dificuldade de adaptação, e no trabalho não é diferente. Por isso, planejar a alimentação e praticar exercícios físicos será sempre importante. Nossa mente acompanha o corpo, e ambos precisam estar alinhados. Para quem está retornando às funções diárias: caminhem, ajustem momentos de lazer, preparem refeições equilibradas, evitem ‘lanches rápidos’ e frituras e levem a hidratação e o sono a sério. Assim, é possível começar o ano com positividade”, enfatiza o preparador físico.


Wellington também destaca que, muitas vezes, as pessoas usam a falta de tempo como justificativa para deixar a atividade física de lado. No entanto, conforme o Departamento de Ciências da Saúde da Universidade do Estado de Santa Catarina, o simples ato de se movimentar pode melhorar significativamente a qualidade do sono, algo essencial para trabalhadores.
Um estudo da universidade aponta que 60% dos adultos brasileiros, entre 18 e 35 anos, apresentam quadros constantes de insônia. Como consequência, o sistema nervoso e imunológico são afetados, além de alterações hormonais. A prática de atividade física, porém, pode reverter esse quadro.

“Entre os fatores associados a esse problema estão os transtornos psíquicos, como ansiedade, depressão e estresse, além de doenças respiratórias e cardiovasculares, excesso de peso e dores musculares. A prática de atividades físicas possui grande potencial para melhorar essas condições. Ao reduzir sintomas de ansiedade e depressão, por meio de ajustes na produção de neurotransmissores e na comunicação entre neurônios, a atividade física contribui significativamente para a melhoria da saúde do sono”, aponta um trecho do Guia de Atividade Física para a População Brasileira, detalhado pelo professor Érico Felden, responsável pelo departamento científico.

Preparando-se para voltar à realidade


A auxiliar administrativa Mariana Almeida, de 23 anos, está com os dias de férias contados e relata sentir desânimo ao pensar no retorno às suas funções. Com cerca de quatro anos de experiência na área, ela afirma que lidar diariamente com documentos, planilhas financeiras, telefonemas importantes e outras demandas do setor é desgastante.

Apesar de gostar da rotina, a jovem já enfrentou problemas psicológicos até compreender que excessos não fazem bem. Atualmente, ela adotou o hábito de pedalar aos fins de semana e segue à risca as orientações de planejamento aprendidas durante a terapia.

Mariana retorna à empresa — no setor de eventos — no dia 5 de janeiro de 2026 e conta que ainda sente certa ansiedade. No entanto, com tudo organizado, consegue manter a tranquilidade, encarando o momento apenas como uma fase de readaptação e definição de novas metas.


“Meu primeiro episódio de cansaço extremo aconteceu após completar um ano de trabalho. Comecei a trabalhar aos 20 anos e acreditava que tudo precisava ser entregue com antecedência, o que acabava ocupando até meus momentos fora do expediente. Busquei ajustar minha rotina, uma amiga indicou a terapeuta dela e passei a praticar ciclismo. Adorei a sensação, e a terapia me ajudou muito no planejamento do dia a dia. Em cerca de uma semana estarei de volta à minha realidade e sei que vou me sair bem, porque decidi cuidar ainda mais do meu corpo e da minha mente”, relata a auxiliar administrativa Mariana Almeida.

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