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Polícia Militar de Alagoas celebra 194 anos com outorga de medalhas e promoções

Por Agência Alagoas 04/03/2026
Polícia Militar de Alagoas celebra 194 anos com outorga de medalhas e promoções
Corporação atua desde 1832 (Foto: Igor Lessa/Weslley Ferreira)

Marília Morais / Ascom PMAL

Polícia Militar de Alagoas celebra seus 194 anos de criação. A corporação carrega uma história marcada por grandes feitos e tradição, cumprindo, dia e noite, a missão constitucional de policiamento ostensivo e preservação da ordem pública nos 102 municípios alagoanos.


Atualmente, 7.493 homens e mulheres integram a PM-AL, que conta com seus agentes dos quadros de combatentes, de administração, especialistas, da área da saúde e também de músicos. São sete grandes comandos de região, batalhões, companhias, unidades administrativas, de ensino, diretorias, seções e setores. 


Para celebrar a data, uma representação do efetivo participou, na tarde de terça-feira (3), na Academia de Polícia Militar, de uma solenidade que referenciou a recente promoção de 1.047 policiais militares e a outorga de 436 medalhas de mérito. 



A formatura militar teve início com a tradicional revista à tropa, comandada pelo tenente-coronel Pedro Honorato. O procedimento foi feito pelo secretário-chefe do Gabinete Civil, Felipe Cordeiro, que representou o governador Paulo Dantas. Em seguida, um momento de fé e reflexão foi conduzido pelos capelães católico e evangélico da corporação. O coronel da reserva Aurélio Rosendo foi o veterano homenageado da solenidade.


Após a apresentação do efetivo ao palanque de autoridades, uma representação dos agraciados com as medalhas ganharam posição de destaque no pátio de formatura para receber o símbolo do reconhecimento. Além de militares, membros da sociedade civil foram outorgados com a medalha Zumbi dos Palmares, uma das maiores honrarias concedidas.



Os promovidos durante o certame de fevereiro também foram homenageados durante a solenidade. Um deles é o agora sargento Thiago Gois, do Batalhão de Trânsito, que celebrou mais uma ascensão na carreira ao longo de dez anos de instituição.


“Alcançar a graduação de sargento é muito significativo para o militar. Agora, carrego com orgulho a placa com o nome que recebi do meu tio que já está na reserva remunerada. Viver esse momento hoje é muito emocionante, lembrei de fatos do início da carreira e da trajetória até aqui", destacou o militar, que também foi aluno do Colégio Tiradentes, tendo a instituição feito parte de sua vida desde cedo.


Na solenidade, o comandante-geral da PM, coronel Paulo Amorim, recebeu a medalha de Mérito Científico, pela realização de seu trabalho intitulado Produtividade e resultados de alta performance na Polícia Militar de Alagoas. Ao lado do secretário de Estado da Segurança Pública, Flávio Saraiva, ele destacou a importância da data, celebrada oficialmente em 3 de fevereiro.




"Tenho orgulho de comandar essa instituição, composta por uma tropa aguerrida, valente e cumpridora de seus deveres. Quantas conquistas tivemos em 194 anos. Que possamos sempre celebrar essa data conscientes de que exercemos todos os dias o nosso papel com dignidade e dedicação", salientou o comandante.


O evento foi finalizado com o desfile de tropas de pelotões dos batalhões especializados e parte da frota da corporação.


A formatura foi prestigiada por diversas autoridades civis e militares, incluindo o subcomandante-geral da PM, coronel Neyvaldo Amorim, integrantes do Alto Comando, gestores de órgãos da segurança pública, além de representantes das Forças Armadas, do Judiciário e Legislativo alagoanos.



História 


A data oficial de origem da PM-AL é relatada pelo jornalista e major PM Silvio de Jesus Teles. Na obra intitulada Briosa: A história da Polícia Militar de Alagoas no olhar de um jornalista (2010), o autor conta que em 1832 eclodiu o movimento popular que ficou conhecido como “Guerra dos Cabanos” ou “Cabanada”. Surgida em Pernambuco, a revolta ecoou em Alagoas, com adeptos nos municípios de Porto Calvo e Porto de Pedras.


Em meio ao clima de tensão no território, para conter os revoltosos e restabelecer a paz, o presidente da província encaminhou o plano para instituir formalmente o Corpo de Guardas Municipais da província. O documento foi remetido em 2 de janeiro de 1832, mas o aceno positivo do ministro da Justiça, padre Diogo Antônio Feijó, só ocorreu em 3 de fevereiro, com a emissão da Decisão Imperial nº 52.


Curiosamente, a data só foi oficialmente reconhecida como a da criação da PM-AL no ano de 1978, por força do Decreto Governamental nº 3.471. Isso porque 3 de fevereiro de 1832 foi, apenas, a data da Decisão Imperial que aprovou o plano do Corpo de Guardas. O dispositivo já existia desde dezembro do ano anterior (por decisão do Conselho Geral, baseado na autorização da Lei Imperial de 10 de outubro de 1831). “O plano era apenas uma formalidade de apresentação e adequação do CGM de Alagoas aos formatos do Ministério da Justiça da época”, conta Teles em sua obra.


Ao longo dos anos e décadas, entre sucessivas organizações e ações, a instituição participou de eventos internos e externos, a exemplo da Guerra do Paraguai. Em 1865, um contingente local foi enviado para combater no país vizinho, sob a denominação de 20º Batalhão de Voluntários da Pátria.


Em 2 de junho de 1851, com a Lei nº 7.355, a Banda de Música da PMAL foi criada e, em 2012, tornou-se patrimônio histórico, artístico e cultural imaterial do povo alagoano.


Outro fato marcante na PM-AL foi sua extinção seguida de renascimento, ambos ocorridos no ano de 1912. Foi em 1º fevereiro que a Força Pública foi desativada pelo governador Euclides Vieira Malta, alegando insuficiência financeira nos cofres estaduais. Em 3 de julho do mesmo ano, já sob o governo de Clodoaldo da Fonseca, o Decreto nº 594 reativou o Batalhão de Polícia, e instituiu as bases da atual Polícia Civil.


No ano de 1925, Alagoas enviou tropas para se unir às Forças Federais e combater o movimento denominado Coluna Prestes. Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, um efetivo de 350 homens foi enviado a São Paulo para unir-se às forças nacionais.


Em anos como 1926, 1930 e 1932, as forças locais foram incorporadas ao Exército Brasileiro, tomando parte em combates como a chamada Intentona Comunista (1935). Outro marco apontado pelo major Teles em seu livro foi o combate ao banditismo conhecido como o Cangaço, no sertão nordestino. Mas foi em 28 de julho de 1938, que uma volante do, então 2º Batalhão, sob o comando do tenente João Bezerra da Silva, se dirigiu à uma gruta na Fazenda Angico, na cidade sergipana de Poço Redondo. Lá, o bando do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, denominado o Rei do Cangaço, foi cercado. Conta-se que o soldado Adrião tombou em combate, mas durante o cerco, 11 cangaceiros morreram, entre eles, o próprio Virgulino e sua companheira, Maria Bonita. 


Da Segunda Guerra Mundial aos dias atuais 


Outros acontecimentos se sucederam e merecem destaque. No ano de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, as tropas alagoanas atuaram no patrulhamento da costa litorânea. Cinco anos depois, em 29 de novembro de 1947, a Lei nº 1368 cria a Formação de Bombeiros dentro da PM. Já em 26 de maio de 1993, o Corpo de Bombeiros foi declarado instituição autônoma, sendo desmembrado da estrutura da PM.


Entre grandes feitos ao longo dos anos, criação de unidades e desenvolvimento interno, chega-se ao ano de 1989. Em 28 de novembro, acontece a chegada da primeira turma de policiais femininas de Alagoas. Até então, a instituição era formada apenas por homens.


Outro importante passo foi dado em 22 de agosto de 1991. O decreto nº 35.021 passou a regular a assistência médico-hospitalar do policial militar e seus dependentes. No ano de 1993, a PMAL marca a 1ª participação em Missões de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), iniciando por Moçambique. Outras ocorreram ao longo dos anos em países como o Sudão do Sul, por exemplo.


A PM Alagoana também é detentora de títulos como o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, conquistado em 10 de dezembro de 2003 pelo Centro de Gerenciamento de Crises, Direitos Humanos e Polícia Comunitária (CGCDHPC), em reconhecimento ao trabalho do policiamento comunitário.


Chegando ao ano de 2014, em 15 de agosto, o Decreto nº 35.142 regulamentou a Lei Estadual nº 7.581, dispondo sobre a criação do serviço voluntário remunerado. Neste mesmo âmbito, foi sancionada a Lei nº 7.952, de 12 de dezembro de 2017. Nascia o Programa Força Tarefa da Segurança Pública, que iniciou suas atividades no ano de 2017, sendo outro grande marco para a tropa.


Entre 2020 e 2022, durante a pandemia da Covid-19 que assolou o planeta, a atuação da PM seguiu sem interrupção, inclusive com ações de fiscalização às medidas sanitárias de segurança. Foi combatendo um inimigo invisível que, infelizmente, doze policiais da ativa contraíram o coronavírus e faleceram em decorrência da doença.


A valorização daqueles que serviram à instituição também ganhou destaque nos últimos anos.  A Lei nº 8.276, sancionada em 13 de julho de 2020 instituiu o dia 13 do mês de março como “Dia do Veterano Policial Militar”. Mais do que cumprir o que está previsto na legislação, o atual Comando Geral fortaleceu essa política de valorização. Desde o segundo semestre de 2022, as solenidades militares incluem um momento de continência ao veterano, contando ainda com a execução do exórdio pela Banda de Música, um rito inédito.


O ineditismo e a valorização aos da reserva e aos reformados se ampliam com o "PMAIS Saúde", Programa de Atenção ao Veterano, desenvolvido pela Diretoria de Saúde (DS).  Ele consiste em uma busca ativa para entender as necessidades do militar, seguida de visita realizada por equipe multidisciplinar na residência dos veteranos. A equipe inclui profissionais como médico, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo e militar do quadro de saúde, entre outros, conforme necessidade. O programa atende, acompanha, acolhe, levanta necessidades individuais e encaminha para a assistência devida àqueles que dedicaram anos de sua vida à atividade policial.