Forró Charme antecipa o São João em Maceió
“Quem foi esse inteligente que inventou o forró?” A pergunta, tantas vezes repetida no Forró Xenhenhem, por Alcione, Elba Ramalho e tantos outros intérpretes, ajuda a explicar por que o ritmo atravessa décadas sem perder força. Criado a partir das vivências do povo, o forró se transformou, se reinventou e seguiu pulsando. Das sanfonas de Luiz Gonzaga às guitarras elétricas nos grandes palcos do país, sempre mantendo sua essência popular, afetiva, coletiva e atemporal.
E por falar em atemporalidade, no próximo 1º de maio, abrindo alas para o São João de Maceió, acontece o Forró Charme. O evento assinado pela FK Produções, chega como uma proposta que vai além do show tradicional e mira um público que deseja viver o forró das antigas com conforto, identidade e uma experiência completa.
No palco, dois nomes que ajudaram a construir a história do ritmo dão o tom da noite: Kátia Cilene e Aduíllio. Referências do forró eletrônico, eles representam uma das fases mais marcantes do gênero e agora retornam com um projeto conjunto que resgata sucessos que seguem vivos na memória do público. A lineup da noite ainda conta com Galã do Brega e a dupla Alex e Myriel, que prometem um repertório exclusivo para o público do Forró Charme.
Ó meu vaqueiro, meu peão
Impossível não ler no ritmo da música, você pensou e cantou. Composição de 1993, para a banda Matruz com Leite, "Meu Vaqueiro, Meu Peão” é até hoje, 33 anos depois, um fenômeno que ganhou força na voz potente de Kátia Cilene. Ela conta que demorou a entender o quanto a música e a fama dela cresciam na época, por causa da explosão da canção.
“Onde eu passava o povo cantava: ‘O meu vaqueiro, o meu peão, conquistou meu coração, na pista da paixão e valeu boi’. Era em todos os lugares. Aí eu me admirava e pensava ‘meu Deus, olha povo todo cantando’. Na época tinham muitos carros de som, e eu vi os carros todos tocando a música, e a minha voz no meio do mundo”, relembra Kátia.
Já Aduíllio que também cantou na Matruz com Leite, e na memorável banda Magníficos relembra as grandes platéias da época, em uma era onde a comunicação não era tão acessível como hoje.
“Quando a gente chegava nos grandes palcos para cantar para 50 mil pessoas, 100 mil pessoas, a exemplo de Teresina no Atlantic City, a gente via as filas rodeando quarteirões, não tinha como a gente não perceber que aquilo era um um fenômeno e que era um movimento que estava sacudindo toda uma geração, em todo canto que a gente chegava de norte a sul, leste a oeste do país”, conta Aduíllio Mendes.
O projeto Kátia e Aduíllio promete trazer esse mesmo movimento para os fãs do forró, no feriado de 1º de maio, Dia Nacional do Trabalho e do lançamento da label premium, Forró Charme.
Ritmo que se reinventa
Se há algo que define o forró é sua capacidade de se transformar sem perder a identidade. De 1940 até hoje, o gênero atravessou diferentes fases, incorporou novos elementos e se conectou com várias gerações, mantendo-se como uma das expressões culturais mais fortes do país.
Essa leitura é reforçada por Myriel, da dupla Alex & Myriel, que vê o forró como parte essencial da identidade nordestina. “No Nordeste, principalmente aqui em Alagoas, o forró é muito enraizado. Se o artista não se aproxima disso, ele acaba perdendo a própria identidade”, explica.
A dupla, consolidada no ritmo sertanejo, também sobe ao palco no dia 1º de maio e promete um show especial com canções que conversam diretamente com a atmosfera da noite, marcada pelo forró das antigas. Para Myriel, essa plasticidade dentro do ritmo é essencial para que a dupla siga se reinventando e alcançando novos públicos.
“O forró vai se renovando, se adaptando às novas gerações, mas se mantém. Se perdesse a raiz, seria outra coisa. E não é. Ele continua vivo. Sendo forró. Sendo do povo”, afirma.
Serviço
Forró Charme
Data: 01 de maio
Local: Espaço Armazém
Atrações: Kátia Cilene e Aduíllio, Galã do Brega e Alex & Myriel