Estrutura ligada à família Feijó movimenta R$ 6,3 milhões em emendas parlamentares
Uma estrutura de institutos privados vinculados à Federação Alagoana de Futebol (FAF) movimentou mais de R$ 6,3 milhões em emendas parlamentares no último ciclo.
A apuração do Portal Lance, baseada em dados da Lei de Acesso à Informação, levanta alertas sobre a transparência na gestão de Felipe Feijó à frente da entidade.
O Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP) é o centro dos questionamentos. Criado em 2017, o instituto recebe vultosos recursos públicos enquanto a FAF acumula uma dívida ativa superior a R$ 6,2 milhões junto à Fazenda.
O modelo de gestão, que utiliza uma entidade privada para executar verbas ligadas ao futebol, pode reduzir o controle social e a fiscalização direta sobre o dinheiro público.
Empréstimos internos e influência familiar
Balanços financeiros de 2023 e 2024 revelam que o próprio presidente da FAF, Felipe Feijó, emprestou pessoalmente mais de R$ 1 milhão à federação.
Além disso, Mariana Feijó, irmã do dirigente, consta como credora da entidade por meio da empresa Uniball Sports. A influência da família no setor é ampla: o patriarca, Gustavo Feijó, ex-presidente da FAF, atua hoje como diretor na CBF.
Parlamentares estaduais como Antônio Albuquerque e Delegado Leonam destinaram verbas ao IFPP. No âmbito municipal, uma emenda de R$ 920 mil da vereadora Gaby Ronalsa foi registrada, mas a federação nega o recebimento do montante.
Contraditório e transparência
A FAF afirma que o IFPP é uma organização civil com autonomia jurídica e nega irregularidades. Segundo a federação, a atuação visa apoiar projetos sociais e todas as contas foram aprovadas pelos clubes filiados.
A CBF declarou que os repasses seguem normas internas e que relações familiares são de natureza privada.