'Câncer será a maior causa de mortalidade no Brasil', diz diretor do Inca
Roberto de Almeida Gil alerta que os casos de câncer devem aumentar nos próximos anos
No início de 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão auxiliar do Ministério da Saúde para a prevenção e o controle da doença, divulgou uma estimativa de que, no triênio 2026-2028, o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer. O número é alto, mas deve aumentar ainda mais: até 2050, haverá incremento de 85% de incidência e mais de 90% de mortalidade por câncer.
Em entrevista ao Metrópoles, Gil aponta que, nos próximos 10 anos, haverá um crescimento da doença e que isso está relacionado aos hábitos da população.
Tabagismo, alimentação, obesidade, abuso de bebidas alcoólicas e sedentarismo estão entre os principais fatores que contribuem para o aumento dos casos. O consumo excessivo de álcool, de alimentos ultraprocessados e a prática de sexo sem proteção (relacionada ao HPV, que pode causar câncer de colo do útero e da cavidade bucal) se tornaram mais comuns – e todos estão relacionados ao desenvolvimento da doença.
“É importante frisar que de 30% a 50% dos casos de câncer são preveníveis e já conhecemos os fatores de risco”, afirma.
Além disso, alimentos com agrotóxicos, a falta de EPIs (equipamentos de proteção individual) e a exposição ao sol sem a proteção devida são agentes que impactam no aumento de casos.
“Tivemos um envelhecimento populacional grande no Brasil. Em 40 anos, avançamos o que a Europa levou 400 anos. Outras doenças estão estabilizadas, mas a incidência do câncer está aumentando, sendo 65% nos homens e 70% nas mulheres”, alerta o oncologista.
O problema do câncer no Brasil também está relacionado ao diagnóstico e à jornada do paciente. O sistema de saúde fragmentado – onde o paciente precisa se deslocar a várias unidades para realizar o tratamento –, a capacitação dos profissionais e o descobrimento tardio da doença estão entre os pontos que colaboram para o aumento desses números.
Tipos de câncer mais comuns no Brasil
Homens
Próstata (30,5%);
Cólon e reto (10,3%);
Pulmão (7,3%);
Estômago (5,4%);
Cavidade oral (4,8%).
Mulheres
Mama (30%);
Cólon e reto (10,5%);
Colo do útero (7,4%);
Pulmão (6,4%);
Tireoide (5,1%).
Apesar dos números alarmantes, o órgão tem investido em campanhas preventivas, parcerias com outras instituições e capacitação básica dos profissionais para tentar diminuir os números de novos casos de câncer.
Gil destaca que uma das melhores estratégias é a prevenção. “É preciso modificar esse quadro atual. Incentivar a prevenção é a única maneira de diminuir a incidência”, enfatiza.
Confira a entrevista: