FGTS pode ser usado para abater parcelas ou quitar financiamento imobiliário
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser usado pelo trabalhador em uma série de situações previstas em lei, como aposentadoria, demissão sem justa causa, doenças graves a exemplo de câncer e HIV, e atualmente pagamento de dívidas atrasadas no programa Desenrola 2.0. Uma das hipóteses mais procuradas, no entanto, é a compra ou a amortização do financiamento de um imóvel residencial.
Para quem já tem financiamento pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) — modalidade que usa recursos do próprio FGTS, caso dos financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal —, existem três formas diferentes de usar o saldo disponível para reduzir o peso da dívida. Cada uma tem efeitos distintos sobre o bolso do trabalhador. A escolha da melhor opção depende do seu atual momento financeiro.
As três opções de uso do FGTS no financiamento
Opção 1 - Liquidar as parcelas finais e reduzir o prazo do financiamento
Nesse caso, o trabalhador usa o saldo para pagar as prestações mais distantes, diminuindo a quantidade de parcelas restantes. O valor cobrado mensalmente não muda, mas o contrato termina antes.
— Quando se paga as últimas parcelas, o trabalhador acaba tendo menos juros e reduzindo o prazo do financiamento. — explica Danilo Jusan, reitor do Ibmec-RJ e especialista em Finanças.
Para amortizar as próximas 12 prestações, é possível repetir a operação a cada dois anos.
Opção 2 - Amortizar até 80% das 12 próximas prestações
Essa opção permite que o trabalhador use o saldo para reduzir em até 80% o valor pago mensalmente ao longo de um ano, sem alterar nem o número de parcelas. No final desse período, o dono do imóvel pode acionar novamente essa modalidade.
— Imagina quem comprou um imóvel, gastou todo o dinheiro e não tem como quitar as próximas prestações. Essa pessoa pode usar o saldo do Fundo de Garantia para reduzir o valor das 12 parcelas mais próximas e dar um alívio financeiro nesse momento da sua vida — explica Danilo Jusan.
Opção 3 - Abater o saldo devedor
Nessa modalidade, o trabalhador usa o valor para reduzir o total que ainda deve ao banco.
Nesse caso, mantém-se o número de parcelas restantes, mas o valor de todas as prestações cai. Isso porque o banco recalcula a dívida com base no novo saldo. O intervalo mínimo de dois anos entre utilizações também é aplicado nesse caso.
Qual opção vale mais a pena?
Para Danilo Jusan, a conta principal que o trabalhador precisa fazer antes de escolher é comparar o rendimento do FGTS com o custo do próprio financiamento. Hoje, o Fundo rende cerca de 6,9% ao ano, enquanto financiamentos imobiliários dificilmente saem por menos de 9% a 10% ao ano na Caixa — e podem chegar a 15% ao ano em bancos privados.
— Se o dinheiro está rendendo 6% e o financiamento custa 9%, faz sentido usar o FGTS para amortizar, porque o trabalhador está pagando uma dívida mais cara com um recurso que rende menos — diz o especialista.
A exceção fica por conta de financiamentos antigos com taxas de juros muito baixas, abaixo do próprio rendimento do FGTS — casos raros em que a conta pode não compensar.
Na comparação entre as três opções, quitar a dívida mais cedo mantendo a parcela costuma ser a que mais economiza em juros no longo prazo. Já a opção de aliviar o orçamento por 12 meses não reduz o total da dívida, mas pode ser a mais indicada para quem precisa de fôlego financeiro logo após assumir o financiamento.
Jusan lembra ainda que o FGTS funciona como uma reserva de emergência do trabalhador, usada também em casos de demissão sem justa causa ou aposentadoria — por isso, recomenda cautela ao decidir usar todo o saldo de uma vez.
— Minha recomendação é nunca usar todo o recurso. É importante manter uma reserva estratégica para situações mais complexas, como uma demissão — orienta.
O lucro do FGTS já está a caminho
A Caixa Econômica Federal deve depositar, até a semana que vem, o lucro do FGTS referente a 2025 nas contas dos trabalhadores. Ao todo, R$ 13,042 bilhões do resultado auferido pelo Fundo no ano passado serão distribuídos entre os cotistas com saldo em contas ativas e inativas em 31 de dezembro de 2025, de forma proporcional ao saldo que cada um tinha na data.
O prazo oficial para o crédito nas contas vai até 31 de agosto, mas a Caixa deve antecipar o pagamento, que é automático. Com a distribuição do lucro, o rendimento total do FGTS em 2025 chega a 6,90% — acima da inflação medida pelo IPCA no período de 4,26%. O valor do lucro se soma ao saldo já existente na conta e só pode ser usado nas mesmas condições previstas em lei, incluindo a amortização do financiamento da casa própria.