Especialista alerta para os riscos do emagrecimento sem orientação médica
Cirurgião bariátrico da Santa Casa explica os cuidados para perder peso com saúde
A popularização das canetas emagrecedoras e a promessa de perder peso rapidamente têm levado muitas pessoas a buscar soluções por conta própria. Mas emagrecer vai muito além de reduzir os números na balança. O processo exige cuidados para evitar a perda de massa muscular, o reganho de peso e outros problemas de saúde. O alerta é do cirurgião bariátrico da Santa Casa de Maceió, Bruno Mota.
Segundo o especialista, a obesidade é uma doença crônica que envolve fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. Por isso, não existe uma única fórmula que funcione para todos. Cada paciente precisa de uma avaliação individualizada para identificar o tratamento mais adequado.
“Hoje todo mundo virou especialista em emagrecimento. As canetas facilitaram o processo, mas as pessoas querem ser emagrecidas por elas. Isso é uma preocupação mundial, porque existe uma maneira correta de perder peso”, afirma.
Um dos principais riscos de emagrecer sem acompanhamento é perder músculos junto com a gordura. Essa redução da massa muscular pode comprometer o metabolismo e favorecer o chamado efeito sanfona, quando o paciente recupera os quilos perdidos, muitas vezes com maior proporção de gordura corporal.
Para evitar esse problema, Bruno Mota destaca a importância de combinar alimentação equilibrada, exercícios físicos e acompanhamento profissional. A musculação, por exemplo, é uma importante aliada na preservação dos músculos durante a perda de peso.
Outro ponto destacado pelo cirurgião da Santa Casa de Maceió é que a obesidade não pode ser associada apenas aos hábitos alimentares ou à falta de atividade física. A genética e o funcionamento do organismo também influenciam a facilidade de ganhar peso e a dificuldade para emagrecer.
“A obesidade não é uma escolha. Existem pessoas que se exercitam, comem bem e têm obesidade, enquanto outras, mesmo com hábitos inadequados, permanecem magras. Precisamos entender que estamos falando de uma doença, assim como o diabetes e a hipertensão”, explica.
O médico lembra que o Índice de Massa Corporal (IMC), utilizado para identificar sobrepeso e obesidade, é um ponto de partida, mas não deve ser analisado isoladamente. Avaliações da composição corporal, como a bioimpedância, ajudam a identificar a quantidade de gordura e músculos, permitindo um acompanhamento mais preciso.
Mesmo quem apresenta exames laboratoriais normais precisa estar atento. Isso porque a obesidade pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares ao longo dos anos, ainda que não existam alterações aparentes nos indicadores de saúde.
Cirurgia robótica – O tratamento da obesidade evoluiu e hoje reúne diferentes possibilidades, desde mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos até o balão intragástrico e a cirurgia bariátrica.
Na Santa Casa de Maceió, a cirurgia bariátrica pode ser realizada com o auxílio da tecnologia robótica, que proporciona movimentos mais precisos e maior controle ao cirurgião durante o procedimento.
De acordo com Bruno Mota, a cirurgia é uma alternativa importante para pacientes com obesidade mais avançada, especialmente quando há doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão e colesterol elevado.
“A cirurgia robótica é uma ferramenta que permite movimentos mais precisos e delicados. Essa tecnologia agrega segurança ao procedimento e contribui para uma recuperação mais rápida”, destaca.
A Santa Casa de Maceió também conta com essa tecnologia para a realização de cirurgias metabólicas, indicadas em situações específicas para melhorar o controle do diabetes tipo 2. Nesses casos, o objetivo vai além da perda de peso, buscando também benefícios no controle da glicemia e de outras condições relacionadas à doença.
Apesar dos avanços, o especialista ressalta que a indicação cirúrgica depende de uma avaliação criteriosa e que o acompanhamento após o procedimento é fundamental para manter os resultados.