Coordenadora de Flávio Bolsonaro propõe cortar Bolsa Família após dois anos
Programa Social do governo Lula já prevê uma regra de proteção para famílias que aumentam a renda
A coordenadora do núcleo econômico da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, afirmou nesta segunda (19) que um eventual governo do candidato estabelecerá uma transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família antes do desligamento do programa. Flávio disputa a Presidência contra o presidente Lula (PT) nas eleições de 2026.
Em entrevista à CBN Bahia, Marques disse que o período daria alternativas às famílias. “Vai ter regra de transição de dois anos para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado”, afirmou.
A economista alegou que os beneficiários não podem ficar indefinidamente no programa. “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”, declarou.
Marques também afirmou que a campanha planeja criar um Ministério da Prosperidade. A estrutura ofereceria crédito para quem quiser abrir um negócio, capacitação profissional e parcerias com empresas privadas para cursos livres.
Bolsa Família tem regra de proteção de até 18 meses
O Bolsa Família já prevê uma regra de proteção para famílias que aumentam a renda. Quando o rendimento mensal por pessoa ultrapassa R$ 218, a família não deixa imediatamente o programa, desde que a renda não passe de R$ 706 por integrante.
Nessa situação, o governo mantém o pagamento de 50% do benefício por até 18 meses. A regra busca evitar que a conquista de um emprego ou uma elevação temporária da renda provoque o corte imediato da transferência.
Relançado por Lula em março de 2023, o programa teve reajuste de cerca de 15,04% anunciado em setembro. O piso passou de R$ 600 para R$ 691, e os pagamentos de outubro terão calendário unificado a partir desta quarta (21).
Em agosto, cerca de 19,3 milhões de famílias receberam o benefício. Para entrar no programa, a renda mensal por pessoa deve ser de até R$ 218, os dados do Cadastro Único precisam estar atualizados e a família deve cumprir compromissos nas áreas de saúde e educação.