Samu leva noções de primeiros socorros a instituição que atende pessoas com Síndrome de Down
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) promoveu na manhã desta quinta-feira (5), uma palestra sobre primeiros socorros no Instituto Amor 21, Organização Não Governamental localizada no bairro da Pitanguinha, em Maceió, que atende crianças, adolescentes, jovens e adultos com Síndrome de Down. A ação foi conduzida pelo médico socorrista Jack Emerson e pelo enfermeiro socorrista Breitner Lima, contemplando um público de aproximadamente 30 pessoas, entre familiares e profissionais que atuam na instituição.
Os palestrantes destacaram a importância da Lei nº 13.722/2018 – Lei Lucas - que torna obrigatória a capacitação em primeiros socorros para professores e funcionários de escolas de educação básica e estabelecimentos de recreação infantil. A legislação foi criada após a morte do menino Lucas Begalli, de 10 anos, vítima de engasgo, e tem como objetivo prevenir acidentes e garantir atendimento imediato enquanto o socorro especializado não chega.
Os instrutores explicaram que o desmaio, ou síncope, é a perda temporária da consciência causada pela diminuição repentina do fluxo sanguíneo no cérebro. Os principais sinais incluem palidez, suor frio, tontura e visão embaçada. Em todas as idades, a recomendação é deitar a pessoa de barriga para cima e elevar suas pernas cerca de 30 centímetros, para facilitar a circulação sanguínea em direção à cabeça.

Na palestra, foram discutidos casos de sangramentos externos, a conduta padrão é compressão direta sobre o ferimento com gaze ou pano limpo, elevando o membro afetado acima do nível do coração, quando possível. Para crianças, a pressão deve ser proporcional ao porte físico, e o acionamento do Samu deve ser imediato se o sangramento não cessar.
Sobre queimaduras, a primeira coisa a fazer é interromper a fonte de calor, resfriando a área queimada com água corrente em temperatura ambiente por cerca de dez minutos. Em crianças, a pele é mais sensível, exigindo cuidado redobrado com a temperatura da água. Nos três níveis de queimadura – 1º, 2º e 3º graus –, é preciso ligar para o 192 para receber as orientações adequadas.
Engasgo
A equipe demonstrou a manobra de Heimlich (com novos procedimentos atualizados), que consiste em compressões abdominais para desobstruir as vias aéreas. Para crianças e adolescentes com Síndrome de Down, a atenção deve ser redobrada, pois características como hipotonia muscular (redução do tônus muscular) e língua mais proeminente podem aumentar o risco de engasgo. A manobra precisa ser executada com firmeza, mas respeitando a estrutura física da pessoa.

Os instrutores também apresentaram o tema Parada Cardiorrespiratória, que é a ausência de resposta a estímulos e a falta de respiração normal indicam parada cardiorrespiratória. Nesse caso, é fundamental acionar imediatamente o Samu 192 e iniciar compressões torácicas no centro do peito, com frequência de 100 a 120 movimentos por minuto.
“O Núcleo de Educação Permanente (Nep) está sempre à disposição da população para ensinar primeiros socorros. Estar em uma instituição diferenciada, que trabalha com crianças especiais, é uma satisfação enorme, porque sabemos que os pais e os profissionais são quem passam mais tempo com essas crianças, jovens e adultos. Poder ajudá-los a agir corretamente num caso concreto, como um engasgo, por exemplo, é gratificante e faz toda a diferença”, afirmou o coordenador geral do Samu Alagoas, médico Mac Douglas de Oliveira Lima.
A dona Daniele Batista da Silva Carneiro, mãe de um bebê de um ano e meio, participou da capacitação e compartilhou sua experiência. “Aprendi muito hoje, principalmente sobre como desengasgar um bebê. O que mais me chamou atenção foi conhecer as diversas formas de desengasgar uma pessoa, seja bebê, criança, jovem ou adulto. Esse ensinamento vai servir para o resto da vida”, declarou.
A presidente do Instituto Amor 21, Neila Christyne Sabino Correia, avaliou positivamente a iniciativa. “As palestras foram fundamentais para os pais e profissionais da nossa instituição. Os temas foram apresentados de forma objetiva e bastante didática. Tenho certeza de que os participantes aprenderam muito, porque além de tirar dúvidas, houve prática de forma objetiva e sucinta”, concluiu.