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Justiça de Alagoas condena Facebook por interromper monetização de influenciador

Por Assessoria 08/06/2026
Justiça de Alagoas condena Facebook por interromper monetização de influenciador
Facebook pertence a Meta (Foto: Divulgação)

O Facebook foi condenado pela Justiça de Alagoas a pagar R$ 10 mil por danos morais e devolver mais de US$ 8,6 mil a um criador de conteúdo digital após interromper a monetização de sua página e reter os valores gerados pela atividade. A decisão da 4ª Vara Cível da Capital foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico desta segunda-feira (8).

De acordo com os autos, o Facebook deixou de repassar US$ 6.694,51 em março de 2025 e US$ 1.948,04 em abril do mesmo ano. A partir de maio de 2025, a empresa também passou a restringir a monetização da página.

Em contestação, o Facebook alegou que a medida decorreu de violação às políticas de monetização e invocou a liberdade contratual.

Para o juiz José Cícero Alves da Silva, porém, a empresa não comprovou a suposta infração que justificaria a restrição da monetização, nem a retenção dos valores. "A ré afirmou genericamente que o autor descumpriu as Políticas de Monetização para Parceiros, sem individualizar o fato".

O magistrado citou entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o qual a remoção de conteúdo ou restrição de serviços digitais exige a indicação precisa do localizador e a demonstração da ilegalidade, sendo vedadas alegações genéricas sem possibilidade de contraditório.

"A ré não especificou a violação no momento da restrição, o que configura prática abusiva e violação do dever de informação, tornando a restrição ilegítima", afirmou o magistrado.

Ainda segundo o juiz, o Facebook não negou a existência dos valores retidos nos meses de março e abril de 2025. "Os valores retidos referem-se a períodos anteriores à restrição (maio/2025), sendo incontroversos e de pagamento devido".

O magistrado destacou que a interrupção abrupta e injustificada da monetização, principal fonte de renda do autor, provocou angústia, incerteza e privação do sustento, ultrapassando o mero aborrecimento. "O descaso da ré, que inicialmente negou qualquer restrição e depois apresentou justificativa genérica, reforça o dano moral".

Na decisão, o juiz determinou que a empresa reative a monetização da página do criador de conteúdo no prazo de dez dias, sob pena de multa diária de R$ 1.000, limitada a 30 dias. O Facebook terá ainda que pagar os lucros cessantes (quantia que uma pessoa deixa de obter devido a uma situação que lhe causou prejuízo). O valor será apurado na fase de liquidação de sentença.