Nina surge em 'Dona de mim' abalando as estruturas de Filipa: 'Ela tem traços cleptomaníacos', adianta atriz
Flora Camolese conta que, assim como sua personagem, tem caso de bipolaridade na família: 'Isso faz eu me sensibilizar. É muito difícil'
Passaram-se mais de 50 capítulos, até que Flora Camolese surja em “Dona de mim”. Mas Nina, sua personagem rebelde, já chega à novela das sete abalando as estruturas da mãe, Filipa (Cláudia Abreu). Diante das sucessivas tentativas de reaproximação com a filha e a constante rejeição da jovem, a artista vai ter suas crises de bipolaridade cada vez mais acentuadas.
— Eu demorei para começar a gravar, mas agora que comecei, o bicho está pegando. Ainda bem (risos)! Venho me preparando há muito tempo para chegar confortável na pele da Nina. Li e assisti a todos os capítulos da novela, e tenho me baseado, principalmente, nas cenas da Cacau (Cláudia Abreu). Acho que você consegue construir uma personagem a partir das relações próximas dela. Preciso estar muito atenta e segura, porque a qualquer momento ela pode dar uma guinada.
E as surpresas já surgem de cara: logo em suas primeiras cenas, Nina se envolve em um furto, quando vai à praia com Rosa (Suely Franco) e Danilo (Felipe Simas) — recontratado como motorista da família Boaz e, agora, atuando como uma espécie de espião de Jaques (Marcello Novaes) na casa do irmão do empresário.
— Nina flerta com a vilania. Só que eu venho tentando fazê-la mais humana, procurando atribuir esses impulsos vilanescos dela a questões internas. Ela tem muitas camadas — observa a atriz, de 23 anos: — A regra número um na atuação é não julgar seu personagem. Flora não roubaria, mas eu preciso entender de onde vem esse traço cleptomaníaco dela: é um vazio interno grande, que ela fica tentando preencher. Ela furta para chamar atenção.
A questão psicológica de Filipa, Flora conhece de perto:
— Também tenho uma pessoa na minha família com bipolaridade. Se eu não tivesse, provavelmente não entenderia a seriedade dessa condição e como isso afeta as pessoas em volta. É muito difícil. Isso faz eu me sensibilizar com minha personagem, que teve uma infância conturbada, lidando com uma mãe cheia de altos e baixos. Quando a pessoa vivencia algo muito pesado, ou ela leva para uma pulsão de vida ou de morte. Nina, em vez de criar empatia, criou repulsa por Filipa.
Para encarar um papel denso assim, Flora conta com o apoio de uma preparadora de elenco uma vez por semana. E usa a escrita para tentar compreender os pensamentos e atitudes de Nina:
— Tenho um diário da personagem, que já virou uma Bíblia, de tão volumoso. Capítulo a capítulo, vou escrevendo à mão o que pode estar se passando pela cabeça da Nina. Eu não racionalizo, é só fluxo de pensamentos, mas para mim faz toda diferença.
Não vai demorar, a causa do retorno de Nina para o Brasil — até então, ela morava em Portugal com a avó, Isabela (Sylvia Bandeira) — vem atrás dela: Deco, interpretado pelo ator português José Maria Brion.
— É o namorado dela. Nina tem o desenho como hobby e aprendeu a fazer tatuagens com ele, que é um cara meio esquisito, a leva para um lugar de “escuridão”. Ela vai percebendo que esse relacionamento não é saudável, não lhe faz bem — adianta Flora.
Situação bem diferente da que a atriz vivencia há dois anos com José Bial, de 23, filho do apresentador Pedro Bial com a cineasta Isabel Diegues:
— Sou muito apaixonada por ele, de vários jeitos. A faísca da nossa paixão foi o gosto compartilhado por cinema. José é muito inteligente, a gente fica horas conversando sobre tudo. Ele abre a minha cabeça, e eu a dele. A gente não tem medo de discordar, de ter opiniões diferentes. Nos estimulamos intelectualmente. Eu amo namorar ele! E amo a família dele, tanto a paterna quanto a materna, que me acolheram como mais uma integrante, com muito carinho, de braços abertos.
Paixão pela culinária no sangue
Diferentemente de Nina, Flora afirma não ter sido uma adolescente rebelde.
— Mas também não era a certinha... Nunca fui de extremos. E isso se deve muito à educação que os meus pais me deram. O diálogo sempre foi aberto — conta ela, filha de Cello Camolese e Isabela Piereck, empresários à frente de restaurantes de destaque no Rio: a Casa Camolese, no Jardim Botânico, e o Zazá Bistrô Tropical, em Ipanema: — A gente se dá muito bem. Minha mãe é minha melhor amiga, sempre foi. Meu pai é um empreendedor nato, inteligentíssimo, não para quieto. Eles me aconselham e me oferecem apoio incondicional, seja estrutural, seja emocional.
Apesar de “preferir comer”, Flora diz que herdou de pai e mãe a habilidade culinária:
— Eu me viro bem preparando almoço e jantar, mas meu forte são os cafés da manhã elaborados. Minha virada de chave na cozinha aconteceu na pandemia: me tornei uma doceira e tanto!